sexta-feira, 28 de julho de 2017

Arcade Fire - Everything Now - Review



Artista - Arcade Fire

Duração - 47:11
Lançamento - 28 de Julho de 2017 
Gênero - Indie Rock 

Três anos depois do lançamento do ultimo trabalho (Reflektor), álbum que em geral foi bem recebido, os Arcade Fire voltam com o seu quinto trabalho de estúdio, Everything Now. 

Desde o lançamento do primeiro single ("Everything Now") que as opiniões se dividiam, alguns fãs (onde eu estou incluído) receberam de forma bastante positiva o novo single e o respetivo vídeo, porém outros criticaram o single associando o mesmo com uma sonoridade muito próxima (demasiado próxima) da banda sueca ABBA. Em seguida surgiu o segundo single, "Creature Comfort", o single recebido de maneira geral com maior positivismo, com destaque para o jogo de sintetizadores amplamente elogiado e a entrega de Win Butler a canção que fez lembrar por vezes Talking Heads, porém este single também não escapou a crítica tendo sido criticado pela forma como a letra, demasiado directa e pouco poética, ataca o tema da faixa. Com o aparecimento dos outros dois singles "Electric Blue" e "Signs of Life", também começaram a surgir em mim algumas duvidas relativamente a este álbum, e ao seu conteudo, ambas as faixas aparecem com uma sonoridade anos 80' a piscar o olho ao Disco. 




Eis que então começam a surgir as primeiras reviews, e aqui, mais uma vez, o álbum se apresenta como fracturante, até para a crítica. Por um lado temos publicações como a NME e o Idepedent que ambas oferecem uma pontuação máxima ao álbum (5/5), por outro temos publicações como a Q Magazine que se fica por um 6/10 e uma Consequences of Sound com um C+ (que está na casa dos 60/100), e ainda pior a publicação The 405 oferece ao álbum a score de 20/100. 


Sendo assim surge o dia do lançamento, e eu lá me aventurei a ouvir o álbum, embora com um pé atrás, tendo em conta a qualidade de alguns dos singles e a as reviews que tinha lido até ao momento. O resultado? Bem... Há aqui um claro exagero por parte de alguns fãs e da crítica, estamos, na minha opinião, a falar do álbum mais fraco dos Arcade Fire, mas continua a ser um bom álbum, Everything Now tem momentos muito fortes, mas também alguns momentos fracos. A questão aqui é a seguinte, estamos tão habituados a que os Arcade Fire nos ofereçam álbuns transcendentais que a chegada de um álbum que talvez não seja genial, coloca logo a banda debaixo de fogo. O álbum é bom, volto a reforçar, mas a fasquia estava demasiado elevada, seja por toda a grande promoção que foi feita ao álbum seja pelo passado da banda onde nos oferece álbuns como Funeral ou Suburbs, o hype era demasiado elevado


Vamos lá então falar do álbum, o inicio do mesmo é para mim excelente, com a sequência da Everything Now (continued) e da Everything Now a ser uma forma magnifica de começar um álbum (se o Spotify não decidir colocar um anuncio entre ambas), segue-se a Signs Of Life, algo diferente da primeira faixa, mas incrivelmente Catchy, uma faixa "orelhuda" sem duvida, para acabar esta "primeira parte" do álbum aparece o terceiro single consecutivo, a excelente Creature Comfort, para mim uma das faixas essenciais deste álbum. 




Em seguida para mim aparece a parte mais problemática deste álbum, o meio, com duas das piores faixas que os Arcade Fire já fizeram a surgir seguidas, "Peter Pan" e "Chemestry". A primeira uma canção numa onda mais experimental que acaba por ser uma confusão de sintetizadores, lamento mas não resulta. A pior faixa do álbum é mesmo a seguinte "Chemestry", fraca a nível de lirica, desconexa do resto do álbum e com um instrumental que me lembra um genérico de um anuncio qualquer, não me convence mesmo, solta uma vibe algo "goofy", sendo que a nível de lírica a maior parte da musica consiste da repetição de "Chemestry, you and me/ you and me we got chemestry", para ser sincero o que não tem grande química é esta faixa com o resto do álbum, uma das piores na discografia dos Arcade Fire. Em seguida temos "Infinite Content" e "infinite_content", para ser sincero não tenho grandes problemas com estas faixas, podem ser consideradas filler, sem duvida, um meio termo entre interlude e faixa, porém são experiências interessantes a nível da instrumentalização, e uma audição bastante agradável. Para fechar este segmento temos "Electric Blue", não é das minhas faixas favoritas, é a faixa da Régine Chassagne para este álbum, estaria a mentir se dissesse que a faixa não cresceu um bocadinho em mim, porém também estaria a mentir se dissesse que esta é a melhor das faixas que a Régine fez nos lead vocals, não fez o click comigo esta faixa como fez por exemplo uma Sprawl 2 Moutains Beyond Mountains. 




Para finalizar temos a as ultimas 3 faixas, "Good God Damm", com uma bassline absolutamente deliciosa apresenta-se como uma faixa bastante agradável, com uma atmosfera bem interessante mais "chill" que algumas das faixas anteriores, um momento interessante deste álbum. Em seguida temos outra excelente faixa, "Put Your Money On Me" com uma vibe de "Neon Bible" a querer escapar por algures, umas das minhas faixas favoritas deste álbum merece a pena ser escutada, a progressão desta musica é fantástica e ajuda a que este seja um dos momentos altos deste disco. A penultima faixa é provavelmente a mais apreciada pelos fãs em geral dentro deste álbum, "We Don't Deserve Love" um uso bem interessante de sintetizadores, com uma atmosfera ideal para fechar um álbum, um futuro clássico sem duvida, e bem merecido. Por fim finalizamos como começamos com "Everything Now (Continued)" para ser sincero acho que a forma ideal de terminar o álbum seria mesmo com a "We Don't Deserve Love", nada contra este Interlude, mas a faixa anterior seria acabar numa high note.  




Bem em resumo: 

Faixas essenciais - "Everything Now"; "Creature Comfort"; "Put Your Money On Me"; "We Don't Deserve Love"
Pontos Fracos - "Peter Pan"; "Chemestry" 

Nota Final - 7/10 

Considerações Finais - Os Arcade Fire ainda estão para fazer um mau álbum, este álbum pode não estar no nível flawless dos trabalhos anteriores, mas claramente é um bom álbum, que suspeito até que vá continuar a crescer em alguns fãs. Tem problemas, sofreu com o seu próprio hype, mas é um trabalho capaz, vale a pena escutar. 


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Top10 Álbuns 2015 - Top Completo.

Como podem ver nunca acabei este meu top10 de álbuns lançados durante 2015, na realidade escasseou o tempo para escrever aqui neste blogue durante os últimos tempos. Porém, o blogue não está esquecido, e antes de mais gostaria de fazer um post dedicado ao que falta deste top10, caso os leitores deste espaço estejam curiosos.

Antes de mais devo recordar como estava este top até ao momento:

10 - Purity Ring - another eternety
9 - CHVRCHES - Every Open Eye
8 - The Dead Weather - Dodge And Burn
7 - Wolf Alice - My Love is Cool

Continuando:

6 - The Staves - If I Was

Banda - The staves
Nome - If I Was
Data de lançamento - 23/03/2015
Gênero - Folk/Indie Folk
Duração - 45:00

Produzido por Justin Vernon (Bon Iver), este álbum foi talvez uma das maiores surpresas para mim no ano de 2015, merece ser explorado, nomeadamente por quem aprecia Folk.
 Relativamente a musicas em destaque "Damm It All" destaca-se, uma musica em constante crescimento de tom, deixo o link em baixo para ser ouvida. Além de "Damm It All", "Blood I Bled" e "Make It Holy" também merecem destaque.



5 - Laura Marling - Short Movie

Artista - Laura Marling
Nome - If I Was
Data de lançamento - 23/03/2015
Gênero - Folk/Folk Rock
Duração - 50:06

Com uma carreira respeitável em seu nome, Laura Marling regressou o ano passado com mais um excelente álbum. Short Movie sucede a Once I Was an Eagle (que também merece ser escutado com atenção), com o seu habitual virtuosismo na guitarra Laura Marling apresenta-nos um álbum a saltar de um Folk Rock mais elétrico (como no excelente single "False Hope") até a uma sonoridade mais acústica (como em "I Feel Your Love"). Vale a pena escutar, nomeadamente as faixas "False Hope" (que esteve na minha cabeça durante umas semanas no ano passado, e pode ser escutada em abixo) e a fantástica "Gurdjieff's Daughter".

4 - Foals - What Went Down

Banda - Foals
Nome - What Went Down
Data de lançamento - 28/08/2015
Gênero - Rock/Indie-Rock
Duração - 48:21

Depois do aclamado Holy Fire, os Foals regressam com o seu quarto registro de estúdio, What Went Down, e na minha opinião conseguiram aumentar o seu jogo.  O álbum abre com a fantástica "What Went Down", num registro relativamente mais pesado ao que os Foals nos habituaram (mas que já utilizaram em faixas como "Inhaler"), sem duvida umas das minhas faixas favoritas do ano de 2015, e na minha opinião o tipo de sonoridade onde os Foals funcionam melhor. Além desta faixa dou destaque a "Albatross", "Snake Oil", "London Thunder" e  "A Knife In The Ocean" (que podem escutar em baixo) que fecha este álbum de uma forma tão eficiente como começou.


3 - Grimes - Art Angels 

Artista - Grimes
Nome - Art Angels
Data de lançamento - 06/11/2015
Gênero - Experimental Pop/ SynthPop
Duração - 49:37

E aqui entramos no top3, e em álbuns que na minha opinião vão ser lembrados durante uns bons anos, ordenar estes 3 álbuns foi um grande desafio, mas decidi colocar em terceiro lugar o Art Angels da Grimes. A Grimes é... bem... um fenómeno estranho, e absolutamente genial ao mesmo tempo, que merece um post dedicado a ela própria, e este foi o seu 4º álbum sucedendo ao igualmente brilhante (e considerado por muitos como um dos melhores álbuns da década até ao momento) Visions de 2012.
 Quanto a este Art Angels é uma abordagem mais "poppy" ao seu estilo porém não perdendo nada do que faz dela única, qualquer musica deste álbum ao ser escutada só vai poder ser associada a um nome, Grimes. No que toca a faixas destaque para o magnifico intro "Laughing and Not Being Normal", para o primeiro single "Flesh Without Blood", "Kill V Maim", "Pin" e a fantástica "Realiti".


2 - Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit  

Artista - Courtney Barnett
Nome - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit
Data de lançamento - 15/03/2015
Gênero - Alternative Rock/Grunge
Duração - 43:29

 Courtney Barnett, para quem ainda não conhecem, fixem este nome, vai ser gigante. Já acompanhava a carreira da Courtney Barnett desde o seu Duplo EP A Sea Of Spil Pears (que é também genial, com faixas como "Out Of The Woodwork", "Procelain" e "Avant Gardner") e esperava um excelente primeiro álbum da parte dela, porém o produto final acabou por exceder as minhas expectativas. Este álbum apresenta todo um feeling "grunge", por vezes escapando para uma sonoridade mais indie rock, o que está presente sem duvida em todo o álbum é um sentimento depressivo e autodepreciativo típico do trabalho de Courtney Barnett, no fim resulta na perfeição.  A lírica de Courtney Barnett é brilhante, fazendo por vezes (no mínimo a mim) lembrar Nick Cave, exemplos desta capacidade lírica podem ser encontrados em "Pedestrian At Best" e "Kim's Caravan". Por falar em "Kim's Caravan" é para mim uma das melhores musicas dos ultimo 20 anos, absolutamente perfeita, um turbilhão de emoções, podem e devem escuta-la em baixo.


1 - Kendrick Lamar - To Pimp A Butterfly 

Artista - Kendrick Lamar
Nome - To Pimp A Butterfly
Data de lançamento - 15/03/2015
Gênero - Hip Hop/ jazz Rap
Duração - 78:51

Em condições normais qualquer um dos outros dois álbuns seria álbum do ano (e para a NME o álbum da Grimes foi mesmo o melhor), porém em 2015 o grande Kendrick Lamar apresentou uma verdadeira masterpiece, To Pimp A Butterfly, uma fusão perfeita de Jazz com Rap, sempre excelente durante toda a sua duração. Faixas como "Institutionalized", "These Walls" e "King Kunta" não deixam ninguém indiferentes, e são de escuta obrigatória para qualquer apreciador de musica em geral. Não é necessário ser um especialista em Hip Hop para reconhecer uma Masterpiece, e To Pimp a Butterfly é claramente uma.


E pronto está finalizado este top, enquanto já vamos a meio de 2016, que também já viu alguns lançamentos interessantes, mas para já, na minha opinião, está bem longe do brilhante ano que foi 2015. Em breve volto com mais posts, até lá fiquem bem!

sábado, 26 de dezembro de 2015

Top 10 Álbuns 2015 - Nº7

NOTA: Estas escolhas são apenas baseadas nas minhas opiniões pessoais e nada mais, se têm uma opinião diferente é favor expor de maneira civilizada. Obrigado! 



  7 – Wolf Alice – My Love is Cool


Banda -Wolf Alice
Nome - My Love is Cool
Data de lançamento - 22/06/2015
Gênero - Indie/Alternative Rock / Post-Grunge 
Duração - 48:52



Depois de ter dado de caras com os Wolf Alice no início do ano, esperava com alguma antecipação este álbum.  Os EP’s prometiam muito, musicas como a recém nomeada para um Grammy “Moaning Lisa Smile” com a sua sonoridade mais Grunge e “Blush”, uma musica mais indie-rock, era indicativos muito positivos para esta banda e para um género em decadência nos últimos anos, o Indie-Rock. Sim, não têm sido anos fáceis para o Indie-Rock, lendas do género como os Kaiser Chiefs e os Franz Ferdinand têm saído dos holofotes, pilares como os The Strokes estão praticamente parados, os Arctic Monkeys já desde o Humbug que se desviam do género e por ultimo bandas como os Two Door Cinema Club e os The Vacines acabaram por virar grandes flops. É aqui que aparecem os Wolf Alice, num género que precisava de um álbum como este, e de uma banda como esta, que trouxesse algo de fresco ao género, como de pão para a boca.
Os britânicos lançaram assim o seu álbum de estreia este ano com Ellie Rowsell como vocalista e guitarrista, Joff Oddie na guitarra, Theo Ellis no baixo e Joel Amey na bateria. “My Love Is Cool” aparece um álbum mais indie e menos Grunge do que eu esperava, mesmo assim fez um excelente trabalho a cumprir as minhas expectativas relativamente à banda e o suficiente para entrar no meu top10 num ano tão concorrido como este 2015.
O álbum abre com “Turn To Dust”, num ritmo calmo com destaca para a voz de Ellie Rowsell, com um efeito de eco na voz, uma entrada que eu não esperaria para um álbum desta banda tendo em conta os EP’s mas que resulta perfeitamente, e acaba por ser uma excelente forma de abrir o álbum, fugindo ao habitual single logo no início. Segue-se “Bros” um single já conhecido antes do lançamento do álbum, uma faixa mais dentro da vertente indie-rock, e muito bem colocada a seguir a “Turn To Dust”, vale a pena escutar:



A terceira faixa é “Your Loves Whore” onde as guitarras começam a fazer-se ouvir, para se fazerem ouvir definitivamente em “You’re A Germ” uma faixa digna de single, e que recebeu mesmo tal honra, é uma faixa energética e o primeiro momento em que vemos a vocalista Ellie Rowsell a sair do registo mais tipicamente indie: 



Depois temos “Lisbon”, não sei se dedicada à capital portuguesa, mas é uma faixa bastante agradável dentro do registo indie. “Silk” é uma balada, bem ao estilo da música que abre este álbum. O próximo ponto de destaca é “Giant Peach” outra música que já tinha sido lançada antes do álbum, esta num registo mais progressivo, mas que apresenta sem dúvida um dos pontos altos do álbum como uma progressão ao longo da música particularmente interessante, mais uma das que vale a pena ouvir com atenção: 



Em Swallowtail, mais uma vez neste top10, temos uma música em que o vocalista muda e passa a ser Theo Ellis, é uma faixa interessante e serve para incluir alguma variedade ao longo do álbum, será que foi uma das modas este ano?
Por fim a acabar o álbum, e de que maneira, temos a “Fluffy” que é tudo menos o que o nome indica, é uma música expulsiva uma rockalhada a sério pronta para receber mosh pits durante as atuações ao vivo. Nota ainda para uma hidden track, começam a ser raras hoje em dia:
 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

TOP 10 álbuns 2015 - Nº8

NOTA: Estas escolhas são apenas baseadas nas minhas opiniões pessoais e nada mais, se têm uma opinião diferente é favor expor de maneira civilizada. Obrigado! 



  8 – The Dead Weather – Dodge And Burn



Banda - The Dead Weather
Nome -Dodge And Burn
Data de lançamento - 25/09/2015
Gênero -Alternative Rock
Duração - 42:44



Um dos álbuns que mais "hype" me criou este ano e que esperei com mais ansiedade, este Dodge And Burn,  terceiro álbum de estúdio de uma das minhas bandas favoritas, os Dead Weather, não superou as expectativas, mas cumpriu. 
Os The Dead Weather são um supergrupo (ou seja, banda composta por membros de bandas já com nome feito), neste caso por Jack White na bateria e vocais (White Strips/The Raconteurs/Solo), Alison Mosshart na guitarra e vocais (The Kills/solo), Deand Freita na lead guitar e nas teclas (Queens Of The Stone Age) e Jack Lawrence no baixo (The Raconteurs). Já contavam com 2 álbuns, e que álbuns, o primeiro deles "Horehound" que conta com autênticos hinos ao rock alternativo como "Treat Me Like Your Mother" e "Cut Like a Buffalo", já o segundo álbum "Sea Of Cowards" que saiu apenas um ano depois do primeiro trabalho conta com temas como "Die By The Drop". O som da banda é perfeitamente descrito como um rock alternativo bastante cru e com um feeling algo heavy e diria até dark("Cut Like a Buffalo" é um bom exemplo), embora por vezes toque no Blues Rock em temas como "Will There Be Enough Water". 

É aqui que aparece este Dodge And Burn, um álbum, que como já disse em cima, cumpriu as expectativas porem, não as excedeu. Tendo em conta a constituição da banda, e que se trata de um projeto do Jack White, era particularmente impossível que o resultado não fosse no mínimo muito competente, e foi isso que recebemos, um álbum arrojado, experimental e extremamente interessante. 
Logo a abrir uma faixa típica da banda, um riff simples mas forte e a potente voz da Alison Mosshart a contar-nos sobre como só se sente amada a cada 1 milhão de milhas, uma música forte, com cheiro a borracha e gasolina queimada e um excelente opener e lead single para este álbum, estou a falar de "I Feel Love (Every Million Miles": 



Segue-se uma musica que já era conhecida antes deste álbum sair, "Buzzkill(er)", não é das mais potentes, mas é das mais eficazes, mesmo assim os riffs típicos da banda estão presentes e são suficientes para colocar esta musica aos altos berros nas colunas e causar estragos. A terceira faixa "Let Me Trough" não é das mais fortes do álbum, e acaba por passar despercebida entre as duas excelentes músicas.
 É então aqui que entra para mim a melhor música do álbum, estou a falar da "Three Dollar Hat", uma sonoridade super experimental, quase esquizofrénica, com white a cantar por cima de umas teclas quase aleatórias, criando um ambiente quase macabro. Passada esta fase entra de repente um potente riff de guitarra, aliado a uma excelente bateria, passando os vocais a estar a cargo da Alison Mosshart, que se faz introduzir com um grito. Tudo isto para voltarmos a casa de partida com Jack White nos vocais e o mesmo tom sombrio. O melhor é mesmo ouvir: 



A melhor fase do álbum continua com uma brilhante "Lose The Rigth" com uma sonoridade mais Blues Rock esta música vai crescendo até chegar a uma fase mais violenta sendo que no final voltamos, como na faixa anterior a casa de partida, mas não sem antes Dean Freita dar argumentos na lead guitar. A seguir vem outra faixa já nossa conhecida "Rough Detective", mais uma vez numa onda Blues Rock, muito eficaz não matando o ritmo, alias, apenas contribuindo para a o crescendo de qualidade do que estamos a assistir. 
 Mas é em "Open Up" que vamos ter o culminar no que toca a riffs potentes e "rocklhada", com um riff bem violento e uma sonoridade bem pesada esta é daquelas rockalhadas que deve ser ouvida com o som no máximo, o mais próximo de uma "Treat Me Like Your Mother" que nos é apresentado neste álbum: 



"Be Still" é a música que se segue, num ritmo mais lento e calmo com uns excelentes vocais de Alison Mosshart esta musica acaba por ser um ponto mais calmo quando comparada com a faixa anterior, porém, os vocais continuam bem potentes e a junção de teclas e guitarra está extremamente bem conseguida. "Cop And Go" é outro momento alto, as teclas dão um certa tensão a esta música, que encaixa perfeitamente com a guitarra de Dean Freita e com a voz de Alison Mosshart, a música acabara por culminar num belo solo. "Too Bad" é outra excelente faixa  e sinceramente não me importava que o álbum termina-se aqui, até porque não sou grande fã da ultima faixa "Impossible Winner", não porque seja uma má faixa, antes pelo contrário, mas pelo simples motivo de que me parece demasiado fora do contexto do álbum, com as suas cordas e piano límpido, isto dentro de um álbum extremamente cru, de uma das bandas mais dark e mais cruas da cena do rock alternativo. 

Resumindo, um trabalho sólido dos Dead Weather, que mantêm-se assim e reforçam a posição de uma das bandas mais interessantes do contexto do rock alternativo atual. Apesar de tudo fica a ideia de que poderá sair daqui algo maior e melhor. Já agora de preferência com uma world tour a acompanhar o álbum.